35 anos
Institucional

Testes genéticos e Companhias de Seguros



As companhias de seguros terão de se adaptar à nova realidade dos testes genéticos mais acessíveis, que preveem o desenvolvimento de doenças

Alguém faria um teste genético que poderia indicar um risco maior de ter câncer ou Alzheimer? A resposta é sim. Como esses testes ficaram mais acessíveis, um número crescente de pessoas está se submetendo a análises laboratoriais de DNA que preveem a chance do desenvolvimento de doenças, antes que os sintomas apareçam. Assim, o acesso a informações vitais que podem mudar a contratação de um seguro tem causado problemas para as seguradoras.

Antes realizados apenas por razões médicas, agora os testes genéticos preventivos podem ser encomendados online por algumas centenas de dólares. A partir de 2007, a empresa 23andMe, com sede na Califórnia, coletou cerca de 4 mil litros de saliva. Com essa amostra a empresa fez testes em 2 milhões de pessoas, que descreveram seus fatores genéticos, riscos para a saúde e as doenças que podiam transmitir aos filhos. Em abril, a empresa teve autorização para detectar fatores de risco relacionados a dez doenças e a alterações no DNA, entre elas Alzheimer e Parkinson.

“A informação significa poder”, dizem muitos que fazem esses testes. Mas as seguradoras receiam que por não terem acesso aos resultados dos testes, perderão clientes. Por sua vez, os clientes temem que, caso as companhias de seguros tenham acesso às informações, pessoas com genes variantes que causam doenças podem ser excluídos da cobertura.

As companhias de seguros argumentam que os testes genéticos preventivos influenciam a contratação de seguros. Há pouco tempo, o New York Times publicou um artigo sobre uma mulher que contratou um seguro com benefício prolongado depois que um teste genético detectou a mutação do gene ApoE4, relacionado à incidência maior da doença de Alzheimer. A seguradora testou três vezes sua memória antes de emitir a apólice, porém não sabia que era portadora de uma alteração do DNA.

Mas os testes também podem ajudar as seguradoras. Segundo Christoph Nabholz da Swiss Rero, os testes que detectam sinais iniciais de câncer e doenças cardiovasculares são importantíssimos para as companhias que fazem seguro de vida. A companhia sul-africana Discovery planeja oferecer aos clientes um teste que mapeia parte de seu genoma. A ideia é obter informações que indiquem que uma intervenção médica ou uma mudança de estilo de vida pode minimizar o risco de possíveis doenças, disse Jonathan Broomberg, um executivo da empresa.

Ainda é cedo para prever as consequências de longo prazo dos testes genéticos no setor de seguros. Mas as seguradoras terão de se adaptar à nova realidade do estudo do papel desempenhado pelos genes no desenvolvimento de doenças.

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Fonte: segs.com.br